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UM SIMBÓLICO AFAGO EM NOSSAS ALMAS

Texto sobre a inauguração da estátua de Renato na Arena do Grêmio
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O ser humano é um bichinho que vive de água, comida, oxigênio e RITOS. Sim, precisamos de ritos de passagem: não basta o casal se juntar debaixo do mesmo teto; tem que casar, marcar a data e fazer festa. Não basta passar pela última prova na faculdade e seguir para o mercado de trabalho; tem que ter formatura, canudo e toga. Até a morte, geralmente tão indesejada, tem lá seus ritos de passagem: pesquisas indicam que familiares de pessoas desaparecidas têm maior dificuldade para encararem suas perdas. O velório é importante para simbolizar o ocorrido e ajudar a ficha a cair.

Anos atrás, um menino nascido em Guaporé/RS tentava a vida em Bento Gonçalves/RS. Montou móveis, foi padeiro… Mas amava mesmo o futebol. Sonhava em jogar bola e ajudar sua família, cuja condição financeira era limitada. Pois esse menino realizou seu sonho: conseguiu jogar no Grêmio. E conquistou o mundo com dois golaços em Tóquio. Jogou na Seleção Brasileira, na Europa. E, depois de uma carreira bem sucedida como atleta, virou treinador. Um baita treinador! Fez boas campanhas no Grêmio até que, em 2016, comandou o time rumo ao pentacampeonato da Copa do Brasil. Incinerou um longo e árduo jejum de títulos do Tricolor e ainda se tornou o Rei de Copas. E não parou por aí: desta vez na casamata, levou o clube mais uma vez ao topo da América.

A jornada do Homem-Gol no Grêmio é tão rica e possui tantos momentos distintos e inesquecíveis que não se criou um rito de passagem para carimbar a grande contribuição de Renato Portaluppi ao Grêmio. Do início dos anos 80 até 2019, tudo foi acontecendo aos poucos, de forma gradual e, a cada nova etapa, mais surpreendente. Até que, num histórico 25/03/2019, inauguramos a estátua IMOR7AL: a réplica da comemoração do segundo gol no Mundial. Milhares de pessoas na esplanada da Arena se amontoaram para ver um símbolo daquela imagem que todos já conheciam muito bem. A cerimônia contou com muita emoção, palavras bonitas e lágrimas. E eis que, para delírio dos presentes, cai o pano e surge a lenda, imortalizada na nova casa do Tricolor.

Aquela estátua não é só uma homenagem ao Renato profissional do Grêmio. É também uma homenagem ao menino de Guaporé que sonhava em ajudar os pais e acabou conquistando o Planeta. É o rito de passagem para simbolizar a gloriosa jornada de um homem vencedor e eternizar momentos que alegraram a vida de 8 milhões de pessoas. Não só os gols do Mundial, mas também os gols nos Gre-nais, o lançamento para César na Final da Libertadores, as declarações polêmicas, as frases engraçadas, o retorno ao clube como treinador, a campanha do Z4 ao G4, os títulos que bateram na trave, o beijo na testa do Pedro Rocha, o beijo na careca do Romildo, a reconquista da América… A estátua é uma celebração de todos esses momentos em que Renato Portaluppi arrancou gritos, sorrisos e lágrimas desta nação azul, preta e branca.

Não bastava conquistar o mundo, era preciso eternizar o momento em que um mero mortal virava lenda. Era preciso simbolizar todos os momentos de glórias desta união entre Portaluppi e Grêmio. Agora, cada vez que a gente olhar para aquele pedaço de bronze vamos lembrar de alguns destes momentos. E, discretamente, vamos sorrir. Ou, mais discretamente ainda, nossa alma vai suspirar contente e orgulhosa. Para sempre.

#IMOR7AL

Lucas von Silveira | TT @lucasvon
IG @lucas_von | FB /olucasvon

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

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