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OPINIÃO | O fiasco de Kepa e a síndrome de vira-latas dos brasileiros

Goleiro do Chelsea peitou o treinador e se recusou a sair de campo
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Era Final da Copa da Liga Inglesa, Manchester City 0 x 0 Chelsea, final da prorrogação. Partida indo para os pênaltis. O treinador italiano do Chelsea, Maurizio Sarri, resolveu promover a troca de goleiros pouco antes do apito final. E a explicação é simples: o goleiro reserva, o argentino Caballero, tem impressionantes 40% de índice de defesas em penalidades máximas. Um número muito acima da média. Já o titular, o espanhol Kepa Arrizabalaga, tem um aproveitamento bem comum, em torno de 20%. Caballero, portanto, tem números 2x melhores.

Acontece que o rebelde goleiro do Chelsea SE RECUSOU a sair. O árbitro encostou ao lado dele pedindo para que saísse, ele fazia sinal negativo, dizendo que ia ficar em campo. O absurdo já começa pelo juizão, que foi muito mole: ficou com cara de bobo sem saber o que fazer, coçando a testa e esperando o bonde passar. Tinha que ter obrigado o cara a sair. Cartão amarelo e, se demorar mais um pouco, é segundo amarelo e vermelho, simples. Mas enfim, a cena foi patética. O técnico Sarri virou uma fera. Esmurrou o banco de reservas, abriu o casaco, chegou a ir embora para os vestiários e desistiu no meio do caminho, enfim, cena de várzea.

Primeira coisa que pensei vendo a cena: imagina se é no Brasil? Já estava vendo os comentários e as teses que surgiriam por aqui. “Jogadores brasileiros são mimados”, “povo brasileiro não tem educação e isso reflete no futebol”, “esse tipo de coisa não acontece na Europa”. Não discordo que a média da boleiragem seja mimada ou que nosso povo tenha problemas de educação. Não estou julgando se as teses fictícias acima estão certas ou erradas. Mas tenho certeza que não tem nenhum espanhol dizendo “nosso povo é um reflexo desta atitude do Kepa” ou um italiano criticando o Sarri ou, ainda, um inglês maldizendo a Europa em virtude do acontecido.

Nós temos a mania de achar que eles são perfeitos e que nós carregamos todo o mal do mundo. Não é por aí. Claro que temos muitas questões menos evoluídas que o Velho Continente. Claro que temos que seguir tentando melhorar, sempre. Mas, calma. Eles não são perfeitos, não são o céu. Nós não somos desprezíveis, não somos o inferno. E essa síndrome de vira-latas que assola o povo brasileiro reflete também em decisões equivocadas de manda-chuvas do futebol. Querem copiar TUDO da Europa. Querem ser a Europa. Não somos, não adianta.

Não somos a Europa pro bem e pro mal. Vantagens e desvantagens. E não podemos renegar essas vantagens. Há coisas incríveis na América do Sul. Não podemos enterrar isso. Não podemos copiar Final Única na Libertadores porque a Europa faz e é legal. Lá é outra dimensão de continente, outra estrutura de transportes, outro poder aquisitivo do povo, mil diferenças. E esse é só um exemplo. Vamos copiar o que é bom, mas isso não significa copiar TUDO. Tem coisa nossa que é melhor. O calor das torcidas, por exemplo. Mas querem copiar até a teatralização, proibindo papel picado, fumaça, obrigando todo mundo a sentar… Calma lá!

Não vamos copiar essa atitude de se negar a sair de campo numa substituição, por exemplo. Isso é horrível. Desrespeito com treinador e com o colega que ia entrar. Foi a coisa mais patética que vi em muito tempo no futebol. E, adivinhem: aconteceu na Europa.

Lucas von
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tirolivre.net

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