Grêmio Lucas Von Opinião

LIBERTAD, LIBERTAD, LIBERTAD!

As três liberdades que a derrota na Arena pode ter ajudado o Grêmio a conquistar
Compartilhe
  • 133
    Shares

LIBERTAD 1O time

Achei o time do Grêmio mole no jogo de ontem, contra o Libertad. Lento, previsível, talvez até desconcentrado em alguns momentos. Todo mundo diz que “na Libertadores, mais que jogar, é preciso competir”. O Grêmio apenas jogou (e olhe lá). Não competiu, não mostrou a gana de outras jornadas. Não sei o que há.

Pode ser ritmo de jogo. Como bom otimista, não descarto essa possibilidade. Afinal, foram apenas uma meia dúzia de jogos dos titulares esse ano. Se for isso, o tempo resolverá. Fim de papo. Mas temo que possa ser o “Fator MTB” (Melhor Time do Brasil). Às vezes acho que essa bajulação toda da imprensa nacional pode entrar em campo. Até de forma inconsciente, os jogadores podem jogar em cima de um salto alto. O problema é que eles atingiram esse nível tão elogiável na humildade, comendo a grama. Se for esse o problema, Renato precisa diagnosticar e corrigir com urgência! Grêmio trotou em campo. Luan cabisbaixo. Até o Kannemann (um ícone do sangue quente) me pareceu mais sereno no canto dele, pouco vibrante. Achei estranho, achei apático.

Liberdade! Se libertem desse rótulo de melhor time do Brasil, futebol mais bonito e o escambau. Voltem a ser o Grêmio que come quieto, que afia as espadas enquanto eles dançam a valsa. A derrota de ontem pode ter servido pra isso. Vamos baixar essa bolinha e trabalhar. Qualidade, indiscutivelmente temos.

LIBERTAD 2Renato

A péssima derrota em plena Arena pode ter dado ao Renato certa liberdade também: sempre tão metódico e genial na gestão de grupo, Portaluppi respeita ciclos e hierarquias na titularidade do time. Quem já tava lá tem prioridade, quem vai mostrando serviço começa a ganhar chances aos poucos, enfim, é o eficaz Método Renato de conduzir o elenco. Mas o jogo de ontem o deixou nitidamente irritado. Repetiu algumas vezes na coletiva que várias individualidades não funcionaram. Chegou a dizer que se tivesse umas 5 substituições ou até mais, teria feito com certeza, pois mais gente precisava ter saído.

Liberdade! a derrota para os paraguaios (para o quê? “paraguaios” – risos) pode ter libertado Renato de ser refém de um time consagrado. Luan é craque? Rei da América? Diferenciado? Sem dúvidas, sou fã. Mas não anda bem. Parece disperso, sem reação, não tá sentindo os jogos. Maicon é um monstro com a bola nos pés? Sem dúvidas, peça rara. Mas anda muito lento, previsível e, sem a bola, comprometendo na movimentação (ou ausência dela). Quem sabe Jean Pyerre e Matheus Henrique não possam jogar na função deles? Tão pedindo passagem. Talvez até Luan possa receber chance de falso 9 – já que Vizeu ainda não desencantou também; não precisa, necessariamente, pegar um banco.

Mas eu senti que o Renato ficou irritado. Ter tirado o Vizeu no intervalo, embora eu tenha discordado, foi uma amostra disso. Veio a peso de ouro da Europa, é badalado, blá blá blá… Renato não quis saber: voltou para o segundo tempo com André. Talvez ele tome mais medidas drásticas como esta. O jogo de ontem lhe deu maior liberdade para fazer isso com o respaldo da torcida e, talvez, até do próprio grupo.

LIBERTAD 3A torcida

E nós também, né? Não adianta elogiar a forma como os times e torcidas da Argentina encaram as Copas e agir de modo totalmente diferente. Brasileiros às vezes são os almofadinhas das competições. Perdeu, fica emburrado, chora, “não brinco mais”. Cheguei a ouvir ou ler gremistas dizendo absurdos ontem. “Time de merda, não ganharemos nada”, “Já era, estamos fora”. Gente, calma! Temos 4 jogos pela frente ainda. Os argentinos, tanto os clubes como a própria Seleção nas Copas, costumam dizer que mata-mata é outra competição. “A Copa começa a partir das oitavas”. Fase de grupos é torneio à parte. E geralmente eles SANGRAM nessa fase, sofrem. E depois atropelam.

Um exemplo recente, o River Plate de 2015 – que matou o Inter na semifinal e ganhou do Tigres a Finalíssima: passou no grupo em 2º, com 7 pontos: metade do líder que era justamente o Tigres (14pts). Quase não passou. O Juan Aurich ficou com 6 pontos e o San José com 4. Era um grupo patético, só tinha 2 times decentes. Bem mais fácil que o nosso atual. E quase se complicaram. Pra, no fim, saírem campeões. E um exemplo dolorido: o Boca Juniors de 2007. Passou boa parte da fase de grupos fora da zona de classificação. Acabou entrando em 2º também, com o Toluca de líder e o Cienciano com 1 ponto a menos (10 do Boca, 9 dos peruanos). O grupo tinha ainda o Bolívar, ou seja, grupo tranquilo. A última rodada era decisiva pro Boca, vida ou morte: ali a partida já ganhava contornos de mata-mata. Resultado: 7×0 pra eles. E na semifinal ainda tomaram 3×1 do Cúcuta no jogo de ida e devolveram 3×0 em casa.

Ou seja, não vai ser sempre sem drama. Não vai ser sempre um 3×0 no jogo de ida de uma semifinal, fora de casa. Libertadores é casca grossa. Tem gente boa e comendo a grama do outro lado. A torcida tem que ser menos almofadinha também e entender que tropeços podem fazer parte de campanhas vitoriosas. É hora de pegar junto com o time. Absolutamente NADA está perdido. Nos libertemos dessa mania de fazer terra arrasada. O Imortal já reverteu situações muito mais complicadas.

Vamo! #PelaQuarta
Lucas Von.

TT @lucasvon | IG @lucas_von
fb.com/olucasvon | falavon@gmail.com

tirolivre.net

 

Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Compartilhe
  • 133
    Shares

Você vai gostar disso